Pavimento intertravado é uma opção para substituir o asfalto nas cidades

i308012Trocar o asfalto pelo pavimento intervalado é a proposta da OCS Mineração e Empreendimentos, localizada na Estrada da Cofeco, bairro Mangabeira, no vizinho município do Eusébio. Dentre as vantagens apresentadas, estão a durabilidade do produto, a resistência a grandes cargas e o fato de ser uma opção bastante viável para a drenagem urbana.

A mineradora é uma das três brasileiras a possuir a certificação ISO 14001. As outras duas estão localizadas em São Paulo e Florianópolis. Todas trabalham com extração e beneficiamento. A cearense, porém, é a única delas a produzir blocos e concretos. Sua linha produtiva inclui brita, pó de pedra, areia, arisco, barro, vários tipos de blocos, o piso intervalado, em três opções, e o meio fio.

Dentre as iniciativas responsáveis por minimizar os impactos ambientais, segundo Cristiano Siqueira, diretor da OCS, uma das principais é a da lavagem da brita. “Isso elimina a geração de poeira e produz um material limpo, sem contaminação. A areia de brita industrializada, por seu lado, substitui com vantagem a areia de rio. Assim, a natureza é poupada”, destaca.

O uso de blocos de concreto, conforme Cristiano, reduz outra prática nociva na construção civil. “A perda com eles é de no máximo 1%, ao contrário do tijolo de cerâmica, que chega a atingir em média 10%”.

O engenheiro civil Jorge França, gerente comercial da OCS, destaca que “a pavimentação intervalada é muito simples de se fazer, e pode ser aberta para o tráfego imediatamente após a conclusão do serviço. As peças duram cerca de vinte anos e até seis vezes mais que o asfalto, e ainda suportam elevadas cargas e forte resistência às manchas de combustível, além do sistema ser uma opção para a drenagem urbana”.

Exemplos- Ainda conforme Jorge França, cidades como Curitiba, São Paulo, Brasília e Porto Alegre são exemplos de metrópoles que utilizam o pavimento intervalado. “Trata-se, sem dúvida, de uma alternativa para melhorar a qualidade e a durabilidade das estradas brasileiras, além de o seu uso ser ecologicamente correto”, aponta o engenheiro, ao acrescentar que “o sistema oferece o melhor custo benefício, além de vantagens, como estética, resistência e durabilidade”. A maior de todas as vantagens, porém, é a de tornar o ambiente mais ameno. “Em relação ao pavimento asfáltico, a redução de temperatura ambiente chega a sete graus centígrados nos locais onde há grande incidência solar, caso de Fortaleza”.

A preocupação em estocar o material de forma correta e cuidadosa é outra estratégia usada pela mineradora. Com isso, mesmo por ocasião do transporte – as vendas acontecem para o Norte e Nordeste – as perdas são insignificantes, segundo eles.

“Viajamos quase todos os dias com nossos caminhões repletos por estradas altamente esburacadas nesse trajeto e, mesmo assim, nossa mercadoria pouco se quebra”, assegura o diretor da OCS Cristiano Siqueira.

No que diz respeito à localização da mineradora, praticamente dentro de Fortaleza, Cristiano argumenta que é outro ganho para o meio ambiente. “É preciso que se tenha em mente que a construção civil e, consequentemente, toda a sociedade, necessitam da utilização desse material, a fim de que sejam produzidas moradias, estradas, prédios comerciais etc. Já imaginou se, por exemplo, nossa pedreira fosse localizada em Itaitinga. A brita que chega hoje a Fortaleza facilmente demoraria e implicaria em pelo menos três mil viagens de caminhão por mês, agravando o efeito estufa por causa da emissão de gás carbônico, sem se falar que pioraria mais ainda o caos no tráfego da capital cearense”.

Laboratório- Embora só explore cinco hectares, dos 24 nos quais a jazida está localizada, no espaço funcionam o setor de britagem, duas fábricas de blocos e pisos de concreto, duas usinas de concreto – uma da Supermix e outra da Apodi, usina de asfalto, usina de solo brita, além de um laboratório de controle tecnológico.

“A nossa preocupação com o meio ambiente é constante, desde a detonação, na qual usamos um equipamento de sismografia para aquilatar os impactos; passa pelo monitoramento da poeira, que é feito por um outro equipamento; e também se verifica na hora do uso da perfuratriz. Através de um processo de despoeiramento, eliminamos a emissão de pó, beneficiando os funcionários e também toda a comunidade que mora aqui no entorno”, complementa Cristiano Siqueira, ao reconhecer que os impactos continuarão, “assim como em qualquer atividade humana no meio ambiente”.

Temperatura- 7ºC é quanto pode diminuir a temperatura ambiente em locais que substituem o pavimento asfáltico pelo intervalado, segundo Jorge França.

Fique por dentro- ISO 14001 foi conquistada em 2009. Desde 2007, a OCS, fundada há 46 anos, no Morro do Caruru, no Eusébio, vem mantendo uma rotina dentro dos padrões do Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Em 2009, conquistou o certificado NBR ISO 14001/2004 pelo organismo credenciado pelo Inmetro Brtüv, do grupo alemão T6UV Nord. Dentre outras ações desenvolvidas para conseguir a certificação, a empresa trabalha com o reaproveitamento da água, monitoramento e controle de fumaça preta dos caminhões, coleta seletiva, destinação adequada de resíduos, aguamento das suas vias internas com água reaproveitada e treinamento permanente de pessoal. De acordo com a direção da mineradora, para se adequar às exigências da certificação, foi necessário aumentar em 5% o custo de operação, “o que é plenamente recompensado com o reconhecimento por parte da maioria dos nossos clientes de que buscamos uma produção limpa”.

Fonte: Diário do Nordeste – Matéria publicada em 18.04.2012